Ateromatose Carotídea: Doença degenerativa e obstrutiva das Carótidas


Ateromatose Carotídea

Doença degenerativa e obstrutiva das Artérias Carótidas que levam o sangue ao cérebro, através de ambos os lados do pescoço, sendo responsável por 90% da etiologia cérebro-vascular extra-craniana. A evidência do envolvimento de mecanismos inflamatórios na aterosclerose tem contribuído para a modificação de paradigmas etiopatogênicos, substituindo-se o modelo tradicional do acúmulo progressivo e concêntrico de lipídeos na parede arterial, pelo conceito de que a inflamação desempenha um papel fundamental na formação e progressão do ateroma. A doença obstrutiva cerebrovascular (DOC) representa prioridade em saúde pública nos países desenvolvidos, devido à expressiva prevalência na população adulta, à gravidade dos eventos isquêmicos e ao alto potencial de incapacitação da vida produtiva. Cerca de 30% de todos os casos de acidente vascular encefálico (AVE) podem ser atribuídos à doença aterosclerótica da bifurcação carotídea, pelos mecanismos de trombose aguda, ou mais comumente de embolização distal. Estima-se que cerca de 700.000 novos casos a cada ano nos Estados Unidos, dos quais 1/3 morrem durante o primeiro ano, 1/3 tornam-se incapacitados para a vida produtiva e apenas o 1/3 restante alcança a reabilitação. A aterosclerose carotídea apresentou alta freqüência populacional (52%) em associação com vários fatores de risco como: idade, obesidade, AVC, coronariopatia isquêmica e tabagismo.

Sinais e Sintomas: - Na doença obstrutiva de carótida, os sintomas geralmente estão relacionados à ocorrência de macro ou micro embolizações, que determinam isquemia cerebral resultante. O quadro pode instalar-se de maneira abrupta e catastrófica, ou de forma sutil e insidiosa, que dificulta até mesmo ao paciente o reconhecimento das manifestações. - Caracteristicamente, os fenômenos tromboembólicos provenientes da bifurcação carotídea causam déficit hemisférico focal, manifestando-se por amaurose ipsilateral, hemiparesia ou hemiplegia contralateral, de predomínio braquial, ou por dificuldades de expressão, como afasia, disfasia ou disartria, quando é acometido o hemisfério cerebral dominante. - Embora raros sintomas como tontura, vertigem, alterações posturais ou síncope podem ocorrer e, geralmente, sugerem comprometimento concomitante do território vértebro-basilar. - Nos extremos do amplo espectro clínico da doença cerebrovascular, podemos ter desde queixas como formigamento leve e recidivante da mão, até um quadro de hemiplegia súbita e irreversível.

O diagnostico é feito pela observação clinica habitual, das queixas e duração; em seguida, a análise da história da moléstia atual, ao interrogatório dos diferentes aparelhos e aos antecedentes pessoais e familiares, com ênfase sobre doença coronariana isquêmica, diabetes melittus, claudicação intermitente dos membros inferiores, alem de acidentes vasculares cerebrais e ataque isquêmico transitório. A avaliação do comprometimento carotídeo provocado pela doença aterosclerótica pode ser realizada por meio da ultra-sonografia em escalas de cinza e imagens com fluxo Doppler colorido. O US é amplamente utilizado na estimativa do grau de estenose e avaliação quanto à ecogenicidade das placas. Outro método é a ressonância magnética (RM) de alta resolução. Há muitas evidências de que a RM pode ajudar na identificação dos componentes das placas, sugerindo sua habilidade em predizer eventos adversos, sendo possível, assim, a identificação dos componentes e do volume das placas, o que ajuda na decisão clínica sobre o melhor método de tratamento em cada caso, com base na vulnerabilidade da lesão aterosclerótica.

SAIBA MAIS: - O impacto dos custos hospitalares decorrentes dos eventos cerebrovasculares tem sido alvo de preocupação mundial, já que as internações por AVE consomem, por exemplo, 4% de todo orçamento para a saúde nos EUA. - Historicamente concebida como uma condição decorrente do acúmulo progressivo de lipoproteínas do colesterol, atualmente sabe-se que a aterosclerose é uma doença inflamatória crônica do sistema arterial. - A demonstração de que apenas 50% dos pacientes ateroscleróticos apresentam dislipidemia, e de que a prevalência de fatores de risco tradicionais, como tabagismo, hipertensão arterial e diabete, após os 65 anos, não diferem substancialmente da encontrada em indivíduos normais, apontam para o envolvimento de outros mecanismos. - No modelo atual de aterogênese, a alteração da homeostase do endotélio, a partir de agressores de ação local ou sistêmica, como acúmulo de lipoproteínas, estresse mecânico (hipertensão arterial, intervenções percutâneas), toxinas do fumo ou substâncias oxidantes, agentes infecciosos, doenças auto-imunes, homocisteinemia, entre outros, constitui o evento inicial da formação e da progressão da placa. - Nos países desenvolvidos, o AVE constitui a terceira causa mais comum de morte na população adulta, e o determinante mais freqüente de invalidez permanente. - É estimado que aproximadamente 4% da população americana com idade entre 50 e 75 anos apresentem estenose carotídea entre 60% e 99%, sem manifestações de isquemia. - A incidência de infarto cerebral duplica a cada década na população com idade superior a 55 anos, chegando a 1.700 casos por 100.000 habitantes ao ano a um médicopós os 75 anos, com o dobro de mortalidade nas mulheres em relação aos homens.

Se necessário procure um médico.

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